Leia-me antes de passar à diante. =D

--> --> --> Caro leitor, este blog existe desde 2007 e tem muitos textos de diferentes etapas da minha vida. Muitos tem um fundo meio melancólico mas não os quis apagar. Aproveite e dê a sua opinião ao fim. Obrigado pela visita. (o autor) <-- <-- <--


sábado, 4 de abril de 2009

Acaso


Acaso s. m. Ocasião imprevista que produz um fato.

Foi por acaso que me conheci.
Ele estava ali defronte o lago das sombras, cabisbaixo e em profunda melancolia. Sentia-se deslocado de um mundo, que acreditava ser, cruel. Aquele “eu” não se conhecia e eu, por conseqüência, não sabia da existência. Ele se isolava num mundo onde somente seus sonhos e medos lhe eram reais. Algo dentro dele o motivava a sofrer e a se lamuriar de tudo ao seu redor, desde suas não-conquistas até ao acidente sexual que ocasionara sua infeliz vida. Aos poucos marcas de talhas se faziam brotar em seus braços. A vontade de viver só não era menor do que a sua coragem. Foi então que o conheci. Havia semelhanças entre nós, contudo éramos seres opostos. Aquela imagem meio distorcida relatada no espelho não podia fazer parte de mim. Então o grande efeito antagonista se destacou: o vilão e o herói, o corvo e o canário, o errado e o correto, a imagem falsa e a imagem verdadeira, o consciente e o subconsciente. Pensei não ser possível habitarmos o mesmo corpo.
Tropecei. Aquele estorvo que estava jogado no chão era o que eu havia me tornado. Confuso sobre o que realmente eu seria me entreguei ao conflito. Toda aquela angústia que eu sentia precisava ter um motivo. Como poderia, afinal, sobreviver àquela dualidade comportamental? Perguntas bombardeavam a minha mente e as respostas aos poucos iam surgindo. Neste momento meus sentidos se apuravam, minha mente trabalhava em velocidade alta e o meu corpo entrava em transe.
Voltei a minha infância. Lembrei-me do tempo em que eu era um comigo. Lembrei-me da espontaneidade que minhas ações expressavam e dos desejos que dia-a-dia brotavam. Como foi que eu me parti ao meio? Pesquisando em minha memória constatei que me deixei levar pelos anseios alheios em relação à forma que eu deveria agir. Criança, confuso e desesperado por aceitação. Comecei a me revelar e percebi que não me adequava ao meio em que vivia. Algo diferente existia dentro de mim. Eu possuía valores, vontades, ações e percepções diferentes dos outros seres humanos que eu conhecia. Isso me assustou. Vetei-me e conduzi-me aos caminhos aparentemente normais. Mesmo assim, em meu interior existia a dúvida sobre a procedência da minha existência. Terráqueo? A vontade de descobrir que em algum lugar do universo existiriam semelhantes era latente. O tempo passava e a razão tomava conta da minha mente. Foi aí que me dividi. Enquanto uma parte de mim tentava incessantemente agradar “os outros” a outra parte se escondia e se retraia no mundo dos sonhos.
Foi por acaso que me conheci. Encontrei o livro da minha vida empoeirado e guardado numa estante velha e o li com afinco. Foi aí que descobri que desperdiçara grande parte do meu tempo pois A MINHA VIDA TODA EU ME VI DIFERENTE E TENTEI, INUTILMENTE, ME IGUALAR, ATÉ A HORA QUE EU PERCEBI QUE O QUE EU MAIS GOSTAVA ERAM JUSTAMENTE AS MINHAS DIFERENÇAS. Hoje eu sou eu.

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